Política, uma força transformadora
Arnaldo Jardim
"Como dois e dois são quatro, sei que a vida vale a pena, mesmo que o pão seja caro e a liberdade pequena" Ferreira Gullar
Outro dia estive refletindo sobre os meus filhos. Fiquei imaginando a reação dos seus amigos quando eles, de boca cheia, dizem:
- Meu pai é deputado!
Com todas as coisas que são ditas e escritas sobre políticos, o mínimo que se pode imaginar é que as crianças aprendam em suas casas que "todo político é safado".
Nesse caso sei que a situação é tranqüila porque meus filhos sabem muito bem o pai que têm e já aprenderam a argumentar sobre as diferenças entre os bons e os maus, existentes nas mais diversas esferas profissionais.
Mas o grave disso é que estamos criando uma geração de céticos, sendo que o ceticismo é o túmulo da democracia e do processo de transformação social. Quando deixamos de acreditar na nossa força transformadora apaga-se a luz da esperança e apenas sobrevive as trevas e quem dela vive.
A generalização produz a aversão numa modelagem conformista. Quanto mais os cidadãos se afastam da política, mais ela passa a ser objeto da manipulação de interesses poderosos e é nesse terreno fértil onde prolifera a corrupção.
O antídoto pode ser produzido a partir do fundo da alma de cada um de nós. No momento em que deixarmos de tomar uma atitude contemplativa e egoísta para passarmos a compartilhar e conviver com os problemas reais do nosso dia a dia estaremos fazendo política e conferindo à essa política o grau de pureza e qualidade que tanto reclamamos.
O termo política vem de "polis", cidade para os gregos. Os zeladores e ordenadores desse espaço passaram a ser chamados de políticos. Vale dizer então que político é o que busca organizar e melhorar a vida do coletivo. Existe para a coletividade e não para o individual.
Se hoje a política inverteu essa lógica, individualizando essa ação, é porque por uma série de motivos os cidadãos se afastaram de sua coletividade, fazendo da sua delegação um cheque em branco, manipulado ao bel prazer de quem recebeu o mandato.
O que é preciso, pois, é restabelecer o vínculo de quem delega poder com a polis onde vive. Em suma precisamos entender que somos responsáveis pela construção da riqueza e também pela edificação da miséria que nos cerca. Isto posto, começaremos a trilhar o caminho da política enquanto ciência ordenadora do coletivo e capaz de proporcionar uma vida melhor para todos.
Fora da política, funciona a ditadura do eu e esse eu não necessariamente representa um indivíduo, mas pode representar uma corporação, um setor organizado ou uma determinada elite, todos ávidos por manter um status quo que lhes trazem vantagens e benesses que certamente significam prejuízos e mazelas para a grande maioria.
Eu, particularmente, tenho orgulho de fazer política. Também tenho aversão à política mesquinha, corrupta e destinada a defesa de interesses pequenos e particulares. Mas a modelagem da minha aversão é participativa. Quanto mais indignado fico, mais eu vou a luta para tentar modificar as coisas e melhorar a vida da minha comunidade.
Fazer política vale a pena. Dela depende o tamanho da nossa liberdade, o preço do nosso pão e a qualidade da nossa vida. Não da minha, nem da sua, mas dos cidadãos que vivem nessa terra chamada Brasil.
ARNALDO JARDIM
Deputado Estadual
Presidente Estadual do PPS
E-mail: arnaldojardim@uol.com.br