
Lula
lá e Geraldo aqui
A eleição do
tucano Geraldo Alckmin para o Governo do Estado de São
Paulo (diante do petista José Genoíno) pode ter frustrado
quem não acompanha de perto a política local, mas de
forma alguma se mostra incoerente com a aclamação
nacional de Lula, muito menos representa um
retrocesso diante da expressiva vitória das esquerdas
nestas eleições de 2002, como fazem supor os mais incautos
ou sectários, que não enxergam que a disputa entre PT e PSDB
(fundamentalmente nesta eleição estadual) se deu entre dois
lados de uma mesma moeda.
Primeiro, é preciso ressaltar
o altíssimo nível do segundo turno paulista, com dois
candidatos absolutamente íntegros, preparados,
equilibrados, bem intencionados, sensatos e
competentes. Segundo, vale lembrar que ambos são oriundos
do campo democrático de centro-esquerda, seja qual for a
denominação que se tenha dado, socialista ou social-democrata,
e que o confronto entre eles se deu simplesmente no campo
das idéias e das propostas, sem jamais ter resvalado
para a ofensa ou o enfrentamento pessoal.
Como bem explicitou a parte
majoritária do PPS que optou pelo apoio à dobrada
Lula-Geraldo, a eleição do presidenciável petista
representa as mudanças desejadas no atual modelo econômico
que gerou desemprego, falências, recessão e aumento da
violência. O nosso voto foi contra a política em
vigor que enriquece os bancos e aniquila os setores
produtivos. Queremos o Brasil voltando a crescer, o micro e
pequeno empresário gerando empregos e ajudando a reconstruir
um país com oportunidades iguais para todos, com
segurança, educação e saúde. E, em São Paulo, o voto em
Geraldo Alckmin foi dado por sua firmeza de
caráter, capacidade, transparência e comprometimento com o
desenvolvimento de São Paulo e do Brasil, demonstrado em um ano
e meio de governo herdado legitimamente de Mário Covas, um dos
políticos mais respeitados e combativos da nossa história.
O
voto situacionista, no Estado, foi o reconhecimento a
um governo que está trabalhando, progredindo,
avançando. Ao contrário da onda nacional que clamava por
mudança, o voto paulista foi a aprovação ao avanço
gradativo, ao progresso contínuo, à melhoria passo a
passo ao invés de propostas miraculosas,
radicais, genéricas e simplistas, que propunham mudar "tudo
que está aí".
O eleitor mostrou-se muito
mais amadurecido e menos vulnerável a soluções mágicas ou a
aventuras mudancistas. Valorizou o papel desempenhado pelo
principal candidato estadual da oposição,
proporcionando-lhe uma votação histórica (a maior do PT até
hoje em São Paulo), mas preferiu manter o poder nas mãos
do governador que vem trilhando um caminho sério, compondo
livre e democraticamente a dobrada de centro-esquerda já
vislumbrada pelos nossos principais dirigentes: Lula lá e
Geraldo aqui.
Nos últimos anos, é
inegável, São Paulo mudou para melhor. O próprio candidato
Genoíno, em todos os debates, reconhecia os avanços obtidos
pelos governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin. Há oito anos,
nesta mesma época, véspera da eleição de 1994, na
sucessão do então governador Fleury, o noticiário mostrava um
Estado praticamente falido, sem dinheiro para pagar
funcionários, com uma dívida crescente alimentada por déficits
orçamentários anuais superiores a 20% e por juros de mercado.
Geraldo Alckmin, com o voto da
maioria absoluta que o elegeu, provou que São Paulo mudou
muito nesses oito anos. E está mudando todos os dias. Para
melhor. O governador Covas prestou os primeiros socorros
para salvar o Estado, sanear as contas públicas, impor
austeridade, honestidade e respeito. Fez os alicerces das
mudanças. Recuperada a capacidade de investimento, iniciou as
reformas na saúde, na educação, na segurança, nas estradas,
no metrô.
Agora, na primeira
gestão efetiva do principal herdeiro político de
Covas, a maior tarefa será consolidar esses avanços,
não permitir que se volte atrás, nem nos aspectos
administrativos -que o eleitor não vê, mas acaba sentindo na
pele-, nem nas obras e projetos em execução. "Mais do
que não deixar a peteca cair, o importante é manter o
padrão de administração e o progresso duramente conseguido em
todas as áreas. Sem vaidade. Sem personalismo. Pensando no
interesse público em primeiro lugar e sempre", prega
Geraldo Alckmin. "Nos próximos quatro anos, entendo
como minha missão preservar tudo o que foi conquistado e
avançar mais. Nesta campanha, divulguei exaustivamente minhas
prioridades, resumidas em quatro grandes áreas: emprego,
educação, programas sociais e serviços públicos de qualidade,
no padrão Poupatempo. No âmbito estadual, vamos nos esforçar,
com empenho cada vez maior, na guerra contra a violência e o
crime. Na saúde, o esforço será pela ampliação e
humanização do atendimento, além de melhor coordenação e
utilização dos recursos. Na educação, a melhoria da qualidade
do ensino. Nos programas sociais, a ação de
solidariedade."
Aí está o resultado das
urnas: Lula eleito presidente e Geraldo Alckmin, governador. Os
números mostram que o PPS fez a escolha certa. Mais que isso,
colocam-nos diante de um desafio maior: manter a nossa
independência, consolidar as nossas propostas e a nossa
identidade partidária e programática, mas sem fugir da
responsabilidade de ajudar a governar São Paulo e o Brasil.
Não somos mais meros espectadores. Somos atores
coadjuvantes no palco central dos
acontecimentos. Entramos em cena, temos um papel social e
político a representar e seremos cobrados por isso.
Maurício
Rudner Huertas, jornalista, é coordenador da ONG Vergonha Nunca
Mais!, pela ética na política, secretário de Comunicação do
PPS/SP e presidente municipal da Juventude do PPS/SP